Profissional faz uma pausa para relaxar a mão e o punho diante da estação de trabalho.

LER e DORT: o que são, como identificar e como a ergonomia previne

Dor nos punhos, formigamento nos dedos, tensão nos ombros que não passa — sintomas que muita gente atribui ao estresse ou normaliza como parte da rotina de trabalho. Em muitos casos, são os primeiros sinais de LER ou DORT: lesões que, quando ignoradas, se tornam crônicas e difíceis de tratar.

LER e DORT: qual a diferença?

LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho) se referem ao mesmo grupo de condições, mas com ênfase diferente:

  • LER enfatiza o mecanismo: movimentos repetitivos como causa principal
  • DORT é mais amplo: inclui postura inadequada, esforço excessivo, pressão mecânica e movimentos repetitivos

Na prática clínica, são usados de forma intercambiável. O que importa é entender as causas e como prevenir.

As condições mais comuns

Tendinite

Inflamação do tendão. As mais frequentes em trabalhadores: tendinite do manguito rotador (ombro), epicondilite lateral (cotovelo — o “cotovelo de tenista”) e tendinite de punho. Causam dor localizada que piora com movimento específico.

Síndrome do túnel do carpo

Compressão do nervo mediano no punho. Causa formigamento e dormência nos três primeiros dedos da mão, especialmente à noite. Muito comum em quem digita por muitas horas. Pode evoluir para fraqueza na pinça dos dedos.

Síndrome do impacto do ombro

Compressão dos tendões do ombro por postura inadequada ou trabalho com braços elevados. Causa dor ao levantar o braço acima da cabeça ou ao deitar sobre o lado afetado.

Cervicalgia e lombalgia ocupacional

Dores cervicais e lombares relacionadas à postura de trabalho e permanência prolongada em posições estáticas. As mais prevalentes de todas — e as mais subestimadas por serem consideradas “normais”.

Os sinais de alerta em ordem de gravidade

  1. Fase inicial: dor que aparece durante o trabalho e passa com o repouso — ainda reversível com intervenção precoce
  2. Fase intermediária: dor que persiste fora do trabalho e interfere em atividades cotidianas
  3. Fase avançada: dor constante mesmo em repouso, com perda de força e limitação funcional significativa

Quanto mais cedo o tratamento começa, melhor o resultado. Na fase inicial, correção ergonômica e fisioterapia resolvem a maioria dos casos. Na fase avançada, o tratamento é mais longo e os resultados menos previsíveis.

Como a ergonomia previne

A ergonomia atua na causa — não nos sintomas. Uma avaliação ergonômica identifica:

  • Posturas de risco — pescoço fletido, ombros elevados, punhos dobrados ao digitar
  • Movimentos repetitivos que podem ser eliminados ou reduzidos
  • Carga física inadequada — objetos pesados, força excessiva
  • Falta de pausas estruturadas

As medidas de maior impacto preventivo

  1. Pausas curtas regulares: a mais simples e mais eficaz. 3 minutos a cada 45 minutos fazem mais do que qualquer equipamento.
  2. Ajuste de altura de teclado e mouse para evitar flexão de punho ao digitar
  3. Suporte de antebraço ao usar o mouse por longos períodos
  4. Laudo ergonômico NR-17 para empresas — obrigatório por lei em determinadas funções






Avaliação ergonômica e laudo NR-17:
Identifique os riscos do seu ambiente de trabalho antes que se tornem lesões.

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